sábado, 10 de novembro de 2007

Em decomposição


Um feixe de luz o incomoda tanto que o faz levantar. O corpo está dolorido, a mente confusa sobre como chegou àquele lugar, se dirige até de onde vem o feixe e olha através do vidro, já é madrugada, a lua o acordara com sua luminescência ofuscante. Com os olhos refaz o trajeto do feixe, passando por todo o lugar até a cama em que seu corpo se indispunha ao levantar, um corpo jogado sobre os lençóis... se aproximou e sentiu que o cheiro da morte já havia se espalhado por todo lugar. Silêncio. Como um sepulcro frio e sem barulho, aquilo que parecia um quarto, fez com das batidas do seu coração tão altas capazes de acordar até um morto. Foi até o banheiro de onde vinha a única fonte sonora, causada por uma gotejante e insistente torneira de uma pia pequena e amarelada. Lavou o rosto e pensou ao olhar seu rosto pálido refletido no espelho – Novamente! Como poderia isso acontecer novamente? – as costas ardidas por arranhões profundos – Deve ter lutado muito! – um arrepio percorreu-lhe a espinha, voltou até a cama, olhou para a pele de uma tez branca, quase que tão branca, quanto um mármore bruto, sem brilho, apagado. Sentiu uma dor no coração, lágrimas quase escorreram dos olhos, remorso, não, apenas dor...
Lembrou-se das outras vezes que isso lhe ocorreu, sempre à noite, sempre quando sai, sempre aos fins de semana, sempre acaba tendo que se livrar de mais um corpo. Tantos outros corpos, brancos, pretos, altos, pequenos, franzinos, até mesmo fortes, e estes lhe causavam mais vontade. Não havia escolha, antes de amanhecer devia desaparecer. Precisava pensar, mas como? Estava ali junto daquele corpo que já lhe causava náuseas, o cheiro cada vez mais forte em suas narinas, e a morte toda espalhada pelos lençóis, embora adoraria ficar e ver o corpo se decompor em sua frente. Outro sentimento agora tomava conta de sua alma, sua alma mais uma vez se esvaziara, e se enchera de pena, passando a mão pelo rosto inerte, deitou-se novamente, um pouco afastado desta vez, tentando encontrar resposta para o tinha feito. Por que tanta fraqueza? Por que tanta auto-piedade agora? O que está feito, está feito. Adormeceu, tentando encontrar respostas para aquilo, se algum trauma, se a vida tinha que ser assim daquela maneira.
Mais uma vez uma luz o incomodava. Já era manhã, e não tinha fugido como pensou em fazer antes de adormecer – E agora? – pensou que agora esse seria o seu fim, ouviu um barulho vindo da porta, que poderia ser sua única saída, um barulho estranho, não percebido durante toda a madrugada, como de passos se afastando, cada vez mais longe da porta e de seus ouvidos que agora estavam grudados na madeira velha, pediu aos céus que não voltasse. Voltou-se para a cama, não havia corpo... O que teria acontecido, seria um terrível pesadelo? Não. Sabia que já havia feito isso muitas vezes, não poderia ter errado desta, sua vítima desta vez teria escapado, não era tão forte assim...
Foi até o banheiro para se certificar que não estava na banheira como muitas vezes deixou os outros, e depois saia como se nada houvesse acontecido. O suor começou a escorrer pela testa, as costas ardiam mais pelo suor frio que lhe escorria por toda espinha, voltou para o lugar onde ficava a cama, procurou por suas coisas vestiu-se rapidamente e viu que na cabeceira da cama havia algumas notas e um bilhete dizendo – Essa é a minha parte, espero que tenha dinheiro para completar o restante – percebeu então que tinha escapado desta vez, sua vítima tinha lhe preparado uma mesma armadilha, e o corpo que desta vez estava se decompondo por dentro era o seu...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

E...

Hoje eu queria ser outro
Não ser eu
Não ser mau
Ser ninguém
Ser quem não sou
Algo que fizesse alegria
Que trouxesse um frio na barriga
Queria amar sem ter que chorar
Eu sou o resto do que ficou no esquecimento
Nada que eu tento tem força o bastante pra sobreviver...
Eu sou o resto do que tenta sobreviver em mim...
E só!

Medo!


Meu peito,
Minha alma,
Aperto,
Desconforto
Tristezas alegres
Lembranças que esqueço
Mas se lembram em mim
Vontade de sumir
Vontade de ser
Vontade de morrer
Quero correr o mais rápido que puder
Pra que ninguém chegue perto de mim
E me esconder daquilo que sou
Medo de ser e não poder ter aquilo que quero
Medo de não ser o que posso
Como dói
Como é?
O que é?
Como é?
O que dizer?
Isso é muito difícil para entender
Só quero colo
Só quero colo
As letras,
As músicas,
O calor
As lágrimas que quero derramar por você
Mas minha voz é fraca
Minha voz é mentirosa
Minha voz não se diz
Nem se conta
Não sei o que, não sei dizer,
Nem fazer.
Quem sou?
Quem serei...
Quem eu posso
Não sei...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Poeira sobre o Carrara

Passado obscuro, vida insana, lama, sujeira na alma, são esses alguns dos adjetivos que se sobrepoem em minha mente toda vez que me deparo com eles, e estão por toda parte, com seus olhares altivos, suas vidas pseudoperfeitas, seus sorrisos esculpidos sobre o Carrara, combrindo-lhes a face morna de suas vidas... tristes...
Tento entender como podem ser tão apáticos a realidade, tão mesquinhos, ao ponto de se anularem, e deixarem de ser humanos, estranhos, opacos, cinza...
Gosto de pensar que um dia irão se encontrar, que não terão que olhar altivos, para não mostrar suas fraquezas, não terem que usar máscaras frias sobre o rosto, para disfarçar tristezas, sei que é dificil se ver de dentro pra fora e encontrar o seu íntimo unido ao exterior com harmonia, mas não é preciso disfarçar, ou moldar vidas sorrisos artificiais.
Espero poder andar com as marcas de choro sobre o meu rosto, e as marcas de uma velhice ao lado de alguém que amei de verdade, sem reserva, e não ofender ninguém com minha felicidade, que os meu raros cabelos junto a minha pele já aspera e enrrugada, não seja motivo de inveja, pois é a unica coisa que pode causar tanta aversão.
Não posso machucar ninguém, a não ser pela grande força de vida que invade e toma lugar, que toma proporções gigantescas diante da face empoeirada das máscaras frias que estão ao meu redor, manchadas pelo tempo...
Só que não posso parar , não posso me anular em favor deles, sei que posso ajudá-los, sei onde erram, pois já errei da mesma maneira, mas são muito soberbos para entender... só sinto ... só posso viver...

sábado, 13 de outubro de 2007

Café da manhã


Café da manhã com direito a adoleta( na versão faroeste caboclos ).

Foto da Festa surpresa da Ivy


É muito bom poder falar a verdade entre amigos, sem medo de sermos julgados ou sentenciados por nossos atos, são os nossos amigos que nos entendem e não fazem diferença daquilo que somos e pensamos. É muito bom lembrar daquilo que passou sem ter mudado nada !!!!
Adoro vocês !!!
Descendo ( Eu , Luize, Patricia e Ivana )

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Já foi


Amigos...
Upload feito originalmente por vinnie_brian
Alguns momentos na vida nos proporcionam reflexão, pensamos em tudo que já passamos, e imaginamos o que mais será que pode nos acontecer, sabemos que o que passou “já era”, não há nada que se possa fazer, lamentar, reclamar, tentar explicar é o que nos resta, mas ainda assim não fica claro o porquê. Pensamos diversas vezes se o que fizemos, o fizemos sem muita reflexão, paramos e visualizamos tudo quanto foi engraçado, triste, o que era digno de se arrepender, pensamos em tudo que falamos, e poderia não ser dito, em tudo que ficou engasgado e não saiu do pensamento...
As vezes pensamos em voltar atrás e fazer tudo de novo, porque nosso perfeccionismo não nos deixa ver o que ficou no passado, de maneira correta. O que não conseguimos enxergar é que tudo foi feito com um sentimento novo, que se apresentava nesses momentos, que surgiam a nossa frente, tudo era mágico, cada descoberta, cada mundo, todos eles intensos demais para que fossem negados, e não nos damos conta que essas mesmas sensações nos pegam desprevenidos a toda hora, em que não sabemos como agir ante a uma nova experiência.
É muito difícil identificar na hora em que as decisões se poem diante de nossos olhos, quais serão as que terão maior importância em nossa vida, avaliar o que poderá nos ocorrer quando brigamos com nosso melhor amigo por algo mau resolvido internamente, ou até mesmo por algo q poderia ser resolvido em uma conversa franca, pois se somos amigos o que existe que não possa ser dito?
Verificando o passado e especulando o futuro, identificamos que só mesmo nos resta o presente, que realmente nos pode ser um presente, se dele não nos arrependemos no futuro, ou lamentamos quando se vai, e só nos restam as lembranças, e são dessas lembranças que poderemos retirar, para os que virão após, sem negligenciar o que foi bom e o que foi ruim, pois as vezes o caminho errado que pegamos, é o mais proveitoso, porque aprendemos a lidar com as nossa mais intimas e humanas emoções.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Doer?Querer?Fazer?

Se dói, por que quero?
Se quero, por que não faço?
Se não faço, dói?
Se dói é por que quero
Ou por que faço?
Se não faço é por que dói
Ou por que quero?

Mentiras

Olho para um muro e vejo além
Vejo graça, vejo flores, desejo...
O olho do espelho só me mostra quem quero
Não o que sou
Um muro.
Do outro lado, quem serei?
Com flores, tijolos ou espinhos
Preciso ser, quero chegar
Sem ter que dar socos e pontapés para ultrapassar, ultra-trapassear
O olho da alma, da luz, da vida, mente, sente...
Gente...
Olha! Que farça!
Disfarça!
Eu sou, eu quero, já fui...
Sou espelho
Que olha, que mente
Que finge ou sente, descrente
Que no muro há flores e espinhos demais
E que para pula-lo é necessário olhar
Para não me machucar...
Vou calar
Fechar os olhos e não mais chorar
Nos espinhos mesmo que sangrar
Sem nenhuma lágrima derramar
Vou pular
Ultrapassar
E que,só, depois do muro
Mesmo com tijolos ou espinhos
Das flores o perfume que exalar
Experimentar.

Eu e Fabio



"when the sun shines, we'll shine together


told you I'll be here forever
said I'll always be your friend
took a oath I'ma stick it out til the end til the end
now it's raining more than ever
know that we still have each other
you can stay under my umbrella"

Que estranho fim é o nosso!


Estranho. Não digo triste, por não ser algo pavoroso como uma guerra ou um cataclisma, dor ou até mesmo muito sofrimento...digo isso porque é difícil compreender um fim para tudo, tentamos fazer tudo contra isso, e hoje em dia mais que nunca, plásticas, remédios, poções milagrosas, inventamos contos, fábulas sobre medo de crescer, viver eternamente como uma criança...Difícil mesmo é aceitar essa realidade. Por que? Será o medo do desconhecido? Não saber o que se espera do outro lado do túnel? Serão virgens? Serão ruas de ouro, rios de água cristalina, angústia, agonia e eterna dor, ou viver eternamente com a angústia de ser tudo perfeito, imútavel?
Não sei se foram os nossos medos que criaram essas realidades fantasiosas ou se essas realidades que nos fizeram temer o depois, o fim, o fechar de olhos e o dinheiro para o barqueiro,sei que elas existem e se confundem entre nós, pobres, fracos, tristes mortais, sem super-força ou poderes extraterrenos, que nos façam vencer ou transpor essa finalidade que é crescer, reproduzir e morrer. O que seria crescer entre esses seres tão vulneráveis? Seria crescer o passar dos anos, o adquirir prestígio, o evoluir, o mudar de mente e descobrir realidades e brigar por elas como se não houvesse outra possibilidade de mundo? E reproduzir seria, se relacionar com alguém do sexo oposto para que dessa relação carnal, real, houvesse um ser tão parecido, tão cheio de características não físicas somente, mas de alguma maneira tão enraizadas seja genética ou influencial, que devam ser chamados de filhos? Seres mágicos, frutos que merecem uma consideração de se doar acima de qualquer coisa, acima de suas necessidades, acima de sentimentos, acima de qualquer reação contraria a própria existência, ou seria transformar, tornar algo tão seu, e reproduzir algo, idéias, fazer e acontecer mesmo, fazer nascer, não carnal mas idealmente, fazendo assim que outros possam também crescer?
Mas e o fim? O que seria? O terminar da existência real, o fim do que eu posso ver e tocar, se transformando ou mutando para algo imaginário, algo intocado, invisível, jamais relatado, por alguém que foi e voltou, seja na mesma, ou em outra vida que seja, para nos tirar essas dúvidas, nos tirar o medo dessa transitoriedade que é morrer, talvez não exista nada, ou nada que seja tão medonho, ou que deva ser alvo de tantas preocupações, ou de ideal merecimento por boas ações ou pacto com alguém. Talvez seja algo tão natural como o cair das folhas das árvores, que servem como adubo, para germinar as sementes que caem dos seus frutos vigorosos, que foram reproduzidos, que cresceram e desenvolvam-se, talvez devamos somente servir de adubo para que outra flor apareça no lugar, e viva se perguntando o porquê de começar e terminar sem uma explicação a que não seja a passagem por essa vida.
Será que existe um fim? Será ele triste? Serão coisas transcendentes a realidade?Será que somos alimento para gerações futuras, alimento emocional, alimento físico que se acaba após não ter mais o que dar, a não ser a própria existência, para que haja espaço onde crescer sem ter que disputar um lugar ao sol ou uma sombra confortável. Seria o fim a continuação de nós como perfeitos por aquilo que alcançamos, e reproduzimos? Seria a lembrança de quem fomos? Seria o nosso fim, o começo de algo maior, aqui mesmo entre os fracos e vulneráveis, e tão dispostos ao mesmo fim estranho e não explicado.

Conto quase que de... Natal !

Era quase fim do ano, um menino com vontade de crescer, mas cheio de dúvidas de como isso iria acontecer, lembrou que ouviu uma amiga contar, de um bom menino também que cresceu - mas como era mesmo a história ??? Não se recordava direito... parou pensou... hesitou... mas se lembrou que não era uma fábula ou um conto, daqueles que se aumenta um ponto, então pronto! – Vou tratar de procurar, mas como achar? Entre milhões de pessoas localizar uma alma crescida e amiga, para com ele compartilhar seu pesar...mas logo começou a procurar entre amigos dessa amiga que sem querer deixou escapar, a história desse menino que resolveu de frente a vida encarar – Consegui encontrar !!! Disse ele – Mas e agora como farei para minha história contar? Lembrou que o menino disse a todos encarar – Que bom filho era e nada poderia mudar!Foi assim que uma carta resolver começar...
E lá se vai a carta com a duas histórias a se entrelaçar. Então... agora não tem mais volta ,ficou com medo, de que talvez por intrometer-se em sua história o crescido menino criasse uma revolta.
Dias, meses, talvez horas, não é fácil de lembrar, pois muitas coisas estavam prestes a se revelar, traumas, choros, talvez risos e também gozos, não se sabe bem ao certo quanto tempo esperou, só se sabe que algum tempo se passou. Mas quando viu que uma carta com o nome do menino, que agora homem se tornou, e que o carteiro entregou, se pôs na leitura a devorar, e em sua vida também querer aplicar o que estava a carta a revelar. Mais algum tempo...algo mais precisava saber, esse menino grande queria conhecer. Conseguiu o telefone. Ligou. Lhe falou seu nome, e sem hesitar não parou mais de falar, indagar, murmurar, reclamar, pois na vida queria despontar, então percebeu que logo o acolheu, seus problemas e dúvidas logo entendeu.
Conversa vai conversa vem, convidou-o pra conhecer o mundo e ver que nessa vida todo mundo tem o seu lugar, começou no peito a pular, o coração a acelerar, mas sem nem piscar resolveu aceitar – Mas como vou sair e nessa estrada a caminhar – então pensou nos mesmos passos percorrer sem da vida se esconder, começou a temer, mas logo do crescidinho tratou de escutar, que na vida cada um tem um caminho a trilhar – Aconteceu comigo pode ser que não contigo – preferiu entender, e dá vida conhecer.
Alguns dias após a noite de Natal, saiu. Uma parte de mundo que pensava não existir,existiu. Logo como um filme de tevê, que um dia assistiu, viu tudo mudar, com seus calores e suas cores viu mundo, e só pode ir fundo, seu sorriso deixado pelo ar, a suspirar, se pôs a dançar, correr, pular, até o peito de alegria quase estourar. O dia vai a noite vem, não é possível que tão rápido passe o tempo quando se está bem. Tudo foi apresentado, com as devidas considerações, e muitas emoções. Não é possível que isso passe. E tão logo o dia nasce ...
Foram embora cada um para seu lado, depois de um novo mundo apresentado. Do menino crescido só se sabe que tem vivido aventuras e aventuras, que por ventura sempre diz nas cartas enviadas,com histórias muito bem contadas. O menino que queria crescer, o que se sabe é esta crescendo, mas na vida agora faz por merecer, sempre dá a cara pra bater, mesmo que doer, mesmo que chorar, mas na vida com o que é mau não quer mais se acostumar.