terça-feira, 18 de setembro de 2007

Que estranho fim é o nosso!


Estranho. Não digo triste, por não ser algo pavoroso como uma guerra ou um cataclisma, dor ou até mesmo muito sofrimento...digo isso porque é difícil compreender um fim para tudo, tentamos fazer tudo contra isso, e hoje em dia mais que nunca, plásticas, remédios, poções milagrosas, inventamos contos, fábulas sobre medo de crescer, viver eternamente como uma criança...Difícil mesmo é aceitar essa realidade. Por que? Será o medo do desconhecido? Não saber o que se espera do outro lado do túnel? Serão virgens? Serão ruas de ouro, rios de água cristalina, angústia, agonia e eterna dor, ou viver eternamente com a angústia de ser tudo perfeito, imútavel?
Não sei se foram os nossos medos que criaram essas realidades fantasiosas ou se essas realidades que nos fizeram temer o depois, o fim, o fechar de olhos e o dinheiro para o barqueiro,sei que elas existem e se confundem entre nós, pobres, fracos, tristes mortais, sem super-força ou poderes extraterrenos, que nos façam vencer ou transpor essa finalidade que é crescer, reproduzir e morrer. O que seria crescer entre esses seres tão vulneráveis? Seria crescer o passar dos anos, o adquirir prestígio, o evoluir, o mudar de mente e descobrir realidades e brigar por elas como se não houvesse outra possibilidade de mundo? E reproduzir seria, se relacionar com alguém do sexo oposto para que dessa relação carnal, real, houvesse um ser tão parecido, tão cheio de características não físicas somente, mas de alguma maneira tão enraizadas seja genética ou influencial, que devam ser chamados de filhos? Seres mágicos, frutos que merecem uma consideração de se doar acima de qualquer coisa, acima de suas necessidades, acima de sentimentos, acima de qualquer reação contraria a própria existência, ou seria transformar, tornar algo tão seu, e reproduzir algo, idéias, fazer e acontecer mesmo, fazer nascer, não carnal mas idealmente, fazendo assim que outros possam também crescer?
Mas e o fim? O que seria? O terminar da existência real, o fim do que eu posso ver e tocar, se transformando ou mutando para algo imaginário, algo intocado, invisível, jamais relatado, por alguém que foi e voltou, seja na mesma, ou em outra vida que seja, para nos tirar essas dúvidas, nos tirar o medo dessa transitoriedade que é morrer, talvez não exista nada, ou nada que seja tão medonho, ou que deva ser alvo de tantas preocupações, ou de ideal merecimento por boas ações ou pacto com alguém. Talvez seja algo tão natural como o cair das folhas das árvores, que servem como adubo, para germinar as sementes que caem dos seus frutos vigorosos, que foram reproduzidos, que cresceram e desenvolvam-se, talvez devamos somente servir de adubo para que outra flor apareça no lugar, e viva se perguntando o porquê de começar e terminar sem uma explicação a que não seja a passagem por essa vida.
Será que existe um fim? Será ele triste? Serão coisas transcendentes a realidade?Será que somos alimento para gerações futuras, alimento emocional, alimento físico que se acaba após não ter mais o que dar, a não ser a própria existência, para que haja espaço onde crescer sem ter que disputar um lugar ao sol ou uma sombra confortável. Seria o fim a continuação de nós como perfeitos por aquilo que alcançamos, e reproduzimos? Seria a lembrança de quem fomos? Seria o nosso fim, o começo de algo maior, aqui mesmo entre os fracos e vulneráveis, e tão dispostos ao mesmo fim estranho e não explicado.

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